Vivemos em constante evolução, mas nem tudo evoluiu na mesma velocidade e intensidade. Como afirmo isso? Estamos em 2021 e ainda é uma surpresa para muitos quando mulheres ocupam posições de destaque em uma organização, tais como: presidência, diretoria, gerência, entre outras.
A população brasileira é composta por:48,3% de homens e 51,7% de mulheres (fonte: https://educa.ibge.gov.br/jovens/conheca-o-brasil/populacao/18320-quantidade-de-homens-e-mulheres.html) e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) revela que de cada quatro pessoas empregadas da indústria, uma é do sexo feminino.
Para falar de igualdade e equidade de gênero, dentro do universo industrial, quero contar uma passagem que aconteceu comigo no ano de 2003, quando tive minha primeira reunião de trabalho com o gerente industrial, na época eu era estagiária técnica em mecânica e tinha 17 anos, e foi assim:
"Saiba que aqui você é uma E.T (extraterrestre), não há muitas como você, então quando for ao campo (área industrial, chão de fábrica), muitos irão te olhar de uma forma diferente, esteja preparada..."
Até hoje não sei se ele me deu um conselho, um susto, um fuja daqui ainda dá tempo ou foi um apoio moral, enfim prefiro entender que foi um aviso positivo, pois aqui estou eu, dezoito anos depois.
E aconteceu exatamente como ele disse, olhares estranhos, muitos me perguntavam o que eu estava fazendo ali, coisas que não vou me aprofundar aqui, porque o que eu quero dizer mesmo é que naquela época eu nem sabia que existia a palavra Equidade, mas eu já sabia o que queria, queria igualdade, queria ter um vestiário com chuveiro, banheiro na área industrial, uniformes que não precisassem ir para costureira.
Nunca quis igualdade de gênero, até porque amo ser mulher e de verdade tem coisas que os homens fazem melhor do que nós e o contrário é verdadeiro, assumamos.
O mundo vê o feminismo como algo ruim: "olha lá aquelas feministas querendo ser iguais aos homens", na verdade feminismo é muito mais do que isso, é sobre equidade, isonomia, é sobre empoderamento e inspiração, porque ainda há muitas mulheres escondidas ou desencorajadas por uma sociedade que está acordando aos poucos.
Quantas de nós temos que escolher entre ser mãe e sua carreira. Acham que estou exagerando?
Muitas mulheres são interrogadas em entrevistas de trabalho sobre este ponto e infelizmente ainda é comum ser um fator de seleção.
Será que é tão fácil assim esquecer que todos fomos gerados por uma mulher, que é preciso reproduzir para que a espécie tenha continuidade, não é uma obrigação, mas deve ser uma opção da mulher e não da empresa ou da sociedade. Será que precisaremos de autorização com dia e hora marcado para engravidar, afinal existe a licença maternidade, que de certa forma reflete uma preocupação, não é mesmo?!

Desde que aprendi sobre a equidade, eu a escolho pelo simples fato de ser justa e possível.
Possível desde que todos participemos dia a dia, hora a hora, segundo a segundo, ação a ação.
No livro Mulheres que correm com os lobos, Clarissa Pinkola, cita:
“Ser forte não significa exercitar os músculos.
Significa encontrar seu próprio brilho sem fugir, vivendo ativamente com a natureza selvagem de uma maneira própria.
Significa ser capaz de aprender, ser capaz de defender o que sabemos.
Significa se manter e viver”.
Que tenhamos essa capacidade de aprendizado, empatia e justiça para com todos.