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# Manifesto pela indústria: Reindustrialização ou Desindustrialização
- URL: https://revistamanutencao.com.br/colunas/opiniao/manifesto-pela-industria-reindustrializacao-ou-desindustrializacao/
- Published: 2023-05-22T23:25:38.000Z
- Updated: 2026-11-01T17:22:22.000Z
- Description: Conheça a história do Dia Nacional da Indústria, instituído em homenagem a Roberto Simonsen, por Juscelino Kubitschek em 1958.
- Author: Fauzi Mendonça
- Tags: Opinião, Colunas, #import-joomla, #source-db-wayback, #Import 2026-11-01 14:12

Instituído por Juscelino Kubitschek, por meio do [Decreto Nº 43.769 de 21 de maio de 1958](https://www.planalto.gov.br/ccivil%5F03/decreto/1950-1969/D43769.htm?ref=revistamanutencao.com.br), o **Dia Nacional da Indústria** é uma homenagem a **Roberto Simonsen** que faleceu, em vinte e cinco de maio de mil novecentos e quarenta e oito (25/05/1948), aos cinquenta e nove (59) anos de idade.

Considerado o **patrono da indústria nacional**, Roberto Simonsen foi protagonista na consolidação do Parque Industrial do Brasileiro e tornou-se conhecido principalmente pela defesa intransigente da indústria nacional. Um dos pioneiros do **desenvolvimentismo** na América Latina, Simonsen foi um expressivo líder da classe empresarial.

Além de professor, engenheiro, economista, empresário, historiador, político, escritor, intelectual orgânico e membro da [Academia Paulista de Letras (APL)](https://www.academiapaulistadeletras.org.br/?ref=revistamanutencao.com.br), da [Academia Brasileira de Letras (ABL)](https://www.academia.org.br/?ref=revistamanutencao.com.br), do [Clube de Engenharia do Rio de Janeiro](https://portalclubedeengenharia.org.br/?ref=revistamanutencao.com.br) e do [Instituto de Engenharia de São Paulo](https://www.institutodeengenharia.org.br/site/news/?ref=revistamanutencao.com.br), Roberto Simonsen, também, foi presidente da [Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP](https://www.fiesp.com.br/?ref=revistamanutencao.com.br) e da [Confederação Nacional da Indústria – CNI](https://www.portaldaindustria.com.br/cni/?ref=revistamanutencao.com.br).

Nos dias atuais, o Dia Nacional da Indústria deve ser utilizado, principalmente, para difundir e fomentar o debate e a reflexão sobre a **importância da indústria** para o Brasil e para os brasileiros, pois, desde o início da década de oitenta (1980s), não há muito o que celebrar, afinal, após a crise da dívida externa, o Brasil passou a sofrer com a **desindustrialização**, que foi mais agressiva, a partir do início da década de noventa, mais especificamente durante o governo neoliberal de Fernando Collor de Mello, que, ao abrir desastrosamente a economia ao processo de globalização, eliminou por completo os mecanismos de neutralização da **Doença Holandesa**.

Não há, no mundo, nenhum país considerado desenvolvido que não tenha finalizado a sua própria **Revolução Industrial** (Capitalista), e o Brasil que, há mais de cinquenta anos, passou por um abrupto processo de industrialização, quando perdeu o status de país subdesenvolvido e passou a ser considerado um dos países em desenvolvimento, infelizmente, não conseguiu finalizar esse processo, tornando-se uma economia parcialmente desenvolvida e, em consequência, dependente e cooptada por países de economia desenvolvida de modo pleno.

Esse processo de cooptação econômica ocorreu, sobretudo, pelo poder exercido pela financeirização da economia e pelo rentismo, difundidos e conduzidos pelos países desenvolvidos e catalisados amplamente, nas economias em desenvolvimento, pelo neoliberalismo e pela famigerada globalização, o que acabou por desacelerar o processo de industrialização, em muitos países e, em alguns casos, chegou até mesmo a causar a temida desindustrialização, como ocorreu no Brasil.

Trata-se de um processo análogo a uma parasitagem, em que o país desenvolvido, para manter-se como tal, precisa garantir o crescimento contínuo da sua economia, o que só é possível cooptando economias, cujo desenvolvimento foi tardio e parcial, o que inviabiliza, por exemplo, o que os economistas classificam como **catching up** dos países com economia em desenvolvimento.

O catching up é o processo pelo qual os países mais atrasados alcançam os países mais avançados econômica e tecnologicamente, o que requer, além de muito investimento em educação, ciência e tecnologia, um planejamento estratégico de curto, médio e longo prazo, que considere a **Industrialização como uma política de Estado** (permanente) e não apenas de governo (efêmera).

A ausência de uma política de Estado desenvolvimentista é, portanto um dos motivos que impedem o Brasil de se tornar uma nação plenamente desenvolvida, mas há um outro, também preocupante, que os economistas classificam como Doença Holandesa.

Segundo [**Luiz Carlos Bresser-Pereira**](https://www.bresserpereira.org.br/papers-cursos/Cap.5-DutchDisease.pdf?ref=revistamanutencao.com.br), a doença holandesa é um problema antigo, essencial para a compreensão do desenvolvimento e do subdesenvolvimento, mas só foi identificada, nos anos 1960, nos Países Baixos, cuja descoberta e exportação de gás natural apreciou a taxa de câmbio e ameaçou destruir toda a indústria manufatureira do país. Na década de 1980, surgiram os primeiros estudos acadêmicos sobre o tema e o primeiro modelo de doença holandesa (Corden e Neary 1982; Corden 1984). 

Ou seja, o Brasil sofre de uma **patologia** conhecida há bastante tempo, a Doença Holandesa, que possui não só tratamento, como também cura, mas que encontrou no nosso país um sistema imunológico vulnerável e incapaz de mitigar a infecção viral, catalisada por vetores conhecidos como os **Chicago Boys**, que nos trouxeram o engodo do receituário neoliberal, prescrito pelo **Fundo Monetário Internacional** (FMI) no **Consenso de Washington** em 1989.

Ainda, segundo Luiz Carlos Bresser-Pereira, podemos definir a doença holandesa de maneira muito simples: a doença holandesa é a crônica sobreapreciação da taxa de câmbio de um país, causada pela exploração de recursos naturais abundantes e baratos, cuja produção e exportação são compatíveis com uma taxa de câmbio claramente mais apreciada que a taxa de câmbio que torna competitivas internacionalmente as demais empresas de bens comercializáveis que usam a tecnologia mais moderna existente no mundo. É um fenômeno estrutural que cria obstáculos à industrialização, ou, se tiver sido neutralizada, e o país se industrializou, mas, depois, deixou de sê-lo, provoca desindustrialização.

Em suma, o que falta para o Brasil finalizar a sua Revolução Industrial e tornar-se uma nação plenamente desenvolvida no aspecto econômico e tecnológico é:

\- Forjar o consenso na sociedade acerca da necessidade de reindustrialização;

\- Elaborar e executar um planejamento estratégico de curto, médio e longo prazo;

\- Abandonar o receituário neoliberal imposto pelo Consenso de Washington;

\- Reestabelecer os mecanismos de mitigação e neutralização da Doença Holandesa;

\- Definir o novo desenvolvimentismo e a industrialização como políticas de Estado;

\- Investir na reindustrialização.

Logo o que falta mesmo é a opção formal, pela via do Novo Desenvolvimentismo (Reindustrialização), porque a outra opção, o Subdesenvolvimento, nós conhecemos desde pelo menos vinte e um de abril de mil novecentos e sessenta a três (1963), conforme registro histórico, do Jornal Brasil Urgente, obtido no acervo da biblioteca nacional:

![Subdesenvolvimento, doencda holandesa e desindustrialização](https://storage.ghost.io/c/4e/b0/4eb0591b-c365-4e1f-b96e-c10832741266/content/images/2023/05/subdesenvolvimento-doencda-holandesa-1.png)

Portanto é necessário organizar com urgência a sociedade brasileira, em torno do consenso da reindustrialização. Ela precisa estar coesa, com relação a esse objetivo, para que interesses escusos sejam ignorados e os interesses dos brasileiros entrem como prioridade zero, ao restabelecer o republicanismo e, por conseguinte, a retomada do processo de industrialização, para que o Brasil volte a gerar empregos, renda e possa garantir o estado de bem-estar social.

![subdesenvolvimento reindustrializacao](https://storage.ghost.io/c/4e/b0/4eb0591b-c365-4e1f-b96e-c10832741266/content/images/2023/05/subdesenvolvimento-reindustrializacao-1.png)

Recorte do artigo \[Matérias primas e Indústria\] de Costa Rego Original encontra-se na no acervo da Biblioteca Nacional (BN) Aspectos : mensario de lettras, artes, sciencias (RJ) – 1937

Enfim, no Dia Nacional da Indústria, em vez de comemorar, ou utilizá-lo para homenagear o patrono da indústria Brasileira, proponho a ressignificação temporária dessa data, para que, em memória de Roberto Simonsen e em benefício das atuais e futuras gerações de brasileiros, possamos difundir ciência econômica de verdade e contemporânea, descrita pelos economistas nacionalistas e heterodoxos, como **NOVO DESENVOLVIMENTISMO**.

Enquanto isso não se consolidar, estaremos na encruzilhada, diante de duas opções: Reindustrialização ou Desindustrialização e, pelo ocorrido recentemente com a governança do Brasil, é provável que o país siga na direção distópica do subdesenvolvimento e da primarização da economia: Afinal:

“Agro é tech, agro é pop, agro é tudo”, menos a sobremesa.

**REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS**

BRESSER-PEREIRA. [**40 anos de desindustrialização**](https://bresserpereira.org.br/index.php/short-texts/11173-7636?ref=revistamanutencao.com.br). Disponível em: Luiz Carlos Bresser Pereira. (Org.). A indústria brasileira em crise. Rio de Janeiro: Jornal dos Economistas Nº 358, Junho de 2019, v. , p. 3-5.

BRESSER-PEREIRA, L. C.; MARCONI, N. OREIRO, L. José. [**A Doença Holandesa**](https://www.bresserpereira.org.br/index.php/economics/economics-basic-texts/9952-6325?ref=revistamanutencao.com.br). Disponível em: Luiz Carlos Bresser Pereira. (Org.). Macroeconomia Desenvolvimentista. Rio de Janeiro: Editora Elsevier, 2016, v. , p. 67-90.

BRESSER-PEREIRA, L. C.; MARCONI, N. [**Existe doença holandesa no Brasil?**](https://bresserpereira.org.br/index.php/academic-papers/8386-2726?ref=revistamanutencao.com.br). Disponível em: Luiz Carlos Bresser Pereira. (Org.). Doença holandesa e indústria. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2010, v. , p. 207-230.

BRESSER-PEREIRA. [**A maldição dos recursos naturais**](https://bresserpereira.org.br/index.php/newspaper-articles/7980-1548?ref=revistamanutencao.com.br). Disponível em: Luiz Carlos Bresser Pereira. (Org.). Opinião Econômica. São Paulo: Folha de São Paulo, DINHEIRO, 06 de junho de 2005, v. B, p. 2.

BRESSER-PEREIRA. [**Os Tempos Heróicos de Collor e Zélia**](https://www.bresserpereira.org.br/index.php/brazilian-economy/quasi-stagnation-from-1980/7450-690?ref=revistamanutencao.com.br). Disponível em: Luiz Carlos Bresser Pereira. (Org.). Aventuras da modernidade e desventuras da ortodoxia. São Paulo: Editora Nobel, 1991, v. , p. 1-98.

BRESSER-PEREIRA. [**Collor e o neoliberalismo.**](https://www.bresserpereira.org.br/index.php/newspaper-articles/7683-1067?ref=revistamanutencao.com.br) Disponível em: Luiz Carlos Bresser Pereira. (Org.). Tendências/Debates. São Paulo: Folha de São Paulo, OPINIÃO, 21 de fevereiro de 1991, v. 1, p. 3.

BRUZZI CURI, L. F.; SAES, A. M. [**Roberto Simonsen e a modernização do Brasil da Primeira República**](https://www.hehe.org.br/index.php/rabphe/article/view/324?ref=revistamanutencao.com.br). História Econômica & História de Empresas, v. 17, n. 2, 17 mar. 2015.

SILVA, L. O. [**Roberto Simonsen: a industrialização brasileira e a Segunda Guerra Mundial**](https://www.hehe.org.br/index.php/rabphe/article/view/65?ref=revistamanutencao.com.br). História Econômica & História de Empresas, v. 13, n. 2, 10 jul. 2012.