O MTBF, seu significado e suas limitações para uso como parâmetro de Confiabilidade e para fins de Planejamento de Manutenção. “Uma medida básica de confiabilidade para itens reparáveis: o número médio de vida de unidades durante as quais todas as partes do item operam dentro de seus respectivos limites, durante um intervalo particular de medição sob condições específicas” (Este padrão deixou de ter validade em 1995).

O cenário econômico competitivo, resultado da globalização, força as empresas a enfrentarem desafios diários com relação à custo, qualidade e agilidade. À vista disso, as organizações buscam melhorias em seus processos e na sua gestão, para que, além de aumentar sua produtividade hoje, esteja preparada para diferentes cenários do mercado amanhã. Nesse contexto, esta pesquisa apresenta a ideia de que a Manutenção Autônoma, alinhada com as práticas da Manufatura Enxuta, pode ser uma solução para o aumento da produtividade, eficiência e eliminação de desperdícios. O presente trabalho tem como objetivo, através da pesquisa de estudo de caso em uma empresa da indústria de alimentos e o embasamento teórico da literatura, consolidar recomendações para implantação da Manutenção Autônoma que permita auxiliar organizações de diferentes segmentos. O trabalho limita-se às etapas de planejamento e implantação do programa, e ainda propõe uma nova ferramenta, com a finalidade de tornar o programa mais sólido. No sentido de aumentar a eficiência e produtividade das organizações, conclui-se que a Manutenção Autônoma apresenta-se como solução sem grandes investimentos, e sim, por meio das práticas da Manufatura Enxuta com recursos internos e pensamento de médio e longo prazo.

Várias estratégias de manutenção são empregadas nos complexos industriais, tendo, como destaque, modelos de gestão que buscam ações preventivas, como TPM (Total Productive Maintenance), RCM (Reliability Centered Maintenance), e outras preventivas baseadas na condição, no tempo, em paradas, dentre outras. Ao aprofundar este tema, tanto do ponto de vista do planejamento quanto da aplicação, percebe-se que o grande desafio para otimização do custo dessas estratégias está em “o que fazer” e “quando fazer”; ou seja, qual escopo e com que periodicidade. Observa-se, no contexto industrial, que há conhecimento das equipes de manutenção em avaliar o comportamento das falhas, definir a vida útil dos principais sistemas que compõem os processos, programar todas as necessidades de reparo e controlar as paradas de um processo. Contudo, percebe-se que há limites em relação à previsão de periodicidade ótima, devido à grande complexidade de combinações possíveis de escopo e momento ideal para a parada de um processo. Esta percepção motivou o presente estudo, para o qual se traçou o objetivo de desenvolver um modelo matemático que otimizasse os custos de manutenção, por meio do estudo da vida útil dos sistemas, fundamentados pelo uso, tempo, condição e custos. A modelagem matemática utilizada foi implementada computacionalmente por meio do MATLAB®. Assim, foi possível analisar o comportamento das variáveis envolvidas na otimização da periodicidade, o custo residual por troca prematura, a periodicidade ótima, o escopo, os custos com manutenção corretiva/preventiva, o tempo de parada de processo e a identificação dos sistemas significativos para aplicação de projeto e para dimensionamento da vida útil dentro do conceito RCM. Para aplicar o modelo, foi desenvolvida uma metodologia que auxilia o usuário durante as simulações com a utilização da ferramenta computacional. A análise foi aplicada numa empresa da indústria cerâmica de grande porte, composta de mais de 43 processos com 5.000 ativos. Para as simulações foram utilizadas linhas de processo contínuo e equipamentos; contudo, a sistemática poderá ser utilizada em empresas de outros setores industriais.

No presente trabalho foi desenvolvido e avaliado um protótipo de equipamento de análise de vibração de baixo custo, incluindo o micro controlador Arduino Due, e acelerômetros da nova tecnologia de micro máquinas MEMS, visando os requerimentos mínimos estabelecidos num programa de Manutenção Preditiva padrão. O Arduino Due é a última versão dos micro controladores Arduino e permite a comunicação entre o acelerômetro e o computador, já que incorpora os protocolos de comunicação SPI e USB. O acelerômetro digital MEMS é o elemento fundamental do protótipo, considerando a sua natureza capacitiva e custo muito inferior ao sensor piezo elétrico padrão, torna-se uma alternativa no desenvolvimento do protótipo. A avaliação do protótipo foi realizada em laboratório e em campo, mas, mostra diferenças consideráveis ao ser comparado com o equipamento de análise do laboratório. As principais deficiências do protótipo são instabilidade nas medições ou medições diferentes em dias diferentes, os espectros de frequências apresentam variações de amplitude e impossibilidade de realizar uma análise em tempo real. Mesmo assim, deve-se lembrar que os elementos selecionados para o desenvolvimento do protótipo são os mais econômicos do mercado, e portanto, um aumento na qualidade pode incidir favoravelmente nos resultados das medições em futuras pesquisas.

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