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Tractian Gestão de Ativos
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(ENGETAG) Este artigo tem por objetivo comentar o fato de, após um trabalho de Classificação de Criticidade dos Ativos de uma fábrica ou outro sistema operacional, o resultado pode ser um número de equipamentos classificados como críticos muito alto, comparado com o parque total de ativos. O que torna o orçamento de manutenção bem mais caro do que deveria ser. E recomendar que é bem viável revisitar o assunto e selecionar com mais precisão quais são realmente os equipamentos críticos da instalação.

Equipamentos críticos

Uma característica principal da gestão de manutenção competitiva é a definição dos equipamentos críticos de sua operação, a qual, associada a uma estratégia de manutenção adequada, deverá garantir muito maior previsibilidade de disponibilidade e continuidade operacional.

Equipamentos classificados como críticos são aqueles cujo efeito de falha ou baixo desempenho podem resultar em graves consequências, como acidentes sérios com pessoas, danos ambientais, impactos econômicos e operacionais. A criticidade a atribuir ao equipamento é diretamente proporcional ao impacto desse equipamento nas operações ou nos negócios da empresa.

Por ex., um conjunto moto-bomba para transferência de um produto químico tóxico pode ser considerado crítico dependendo do ambiente em que está instalado, se um vazamento do produto vir a afetar pessoas por inalação dos seus vapores. Outro ex., um sistema de caldeiras com função de aquecimento de polímeros em produção geralmente é considerado crítico, pois sua falha irá acarretar a parada da fábrica por horas devido ao endurecimento do produto nos processos e tubulações.

Estratégia de manutenção para críticos

Para um equipamento ou componente que não deve falhar sob nenhuma hipótese, deve-se estabelecer uma estratégia de manutenção adequada para a percepção do início da falha do equipamento o quanto antes, para tomada de providências a tempo de evitar sua piora de desempenho ou mesmo um colapso funcional do mesmo.
O plano de manutenção do equipamento crítico vai contar prioritariamente com intervenções de manutenção preditiva técnica, combinadas com intervenções de manutenção preventiva sistemática.

Por ex. para um conjunto moto-bomba serão programadas intervenções de análise de vibração (preditiva técnica) e intervenções de lubrificação (preventiva sistemática). Sendo feitas essas atividades nas frequências estabelecidas, pode-se dizer que o equipamento está bem cuidado. A análise de vibração é a melhor técnica preditiva para evidenciar a condição de um conjunto moto-bomba.

A política para o equipamento crítico contará também com equipes de melhoria focadas na redução de falhas, a prática de análise de falha como rotina, bem como a aplicação da ferramenta FMEA.

Cuidado a tomar !

O problema é que estratégias de manutenção para equipamentos críticos são mais caras do que para equipamentos similares considerados como não críticos. A frequência das intervenções definidas para os críticos é maior, com intervalos mais apertados. Nenhuma surpresa, afinal, o objetivo é perceber a falha potencial desses equipamentos em seu início, correto?
O gestor dever tomar o cuidado de não classificar mais equipamentos como críticos do que aqueles que realmente o são. Caso contrário irá dispender mais recursos do que precisa para o mesmo resultado de desempenho e, obviamente, irá gastar bem mais dinheiro do que o necessário.
O ponto a questionar é o seguinte: será que não houve alguma gratuidade ao definir o equipamento é ou não é crítico? Não seria bom revisitar a classificação atual de criticidade de ativos? Voltar um pouco atrás e analisar, para cada equipamento classificado como crítico, situações do tipo:

 O equipamento possui redundância instalada?

 O almoxarifado de manutenção conta com as peças reservas críticas do equipamento?

 O equipamento e suas peças reservas principais são de fácil fornecimento na região?

 Equipamentos que, em caso de falha, provocam vazamentos, não possuem contenção adequada?

 Maquinário que apresenta armadilhas para as mãos das pessoas não podem ser melhor protegidos?

 A falha do equipamento é tão grave assim para a continuidade operacional?

Classificação de Criticidade dos Ativos

A metodologia mais conhecida e utilizada para a seleção de ativos críticos é a Classificação ABC (Japan Institute of Plant Maintenance, 1995), que abrange uma série de fatores de avaliação e utiliza um fluxograma decisional, tal qual o exemplo exposto na Fig. 01 a seguir.

O gestor define quais são os fatores de avaliação a serem usados, em função do perfil da operação e do negócio da empresa. Para a maioria das empresas industriais, os fatores de Segurança, Meio Ambiente e Qualidade são os principais a serem adotados e medidos para definir a criticidade do equipamento.

Outros fatores de avaliação comumente usados são: Tempo de Produção parada (Downtime), Capacidade de entrega do produto, Frequência de falhas (MTBF), Tempo do reparo (MTTR), Imagem da empresa, Custo do Reparo, Custos associados à falha, Regime de Trabalho do equipamento, etc.

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Fig. 01: Classificação ABC – Fatores de avaliação e Fluxo decisional. Fonte: JIPM

A avaliação por meio da Classificação ABC é feita para cada equipamento com os resultados possíveis:

 Classe A: equipamentos altamente críticos para o processo, cujo efeito de falha ou baixo desempenho podem resultar em graves consequências para as operações e ou negócios da empresa;

 Classe B: Equipamentos importantes para o processo, sendo aceitável conviver por algum período com desempenho reduzido do equipamento;

 Classe C: Equipamentos com baixo impacto no processo, não havendo maior impacto a situação de baixo desempenho ou mesmo colapso do equipamento.

Muitas empresas utilizam somente a Classificação ABC para a seleção de seus equipamentos críticos. O que se observa em muitos casos é que o resultado final da avaliação é que o número de equipamentos definidos como críticos é muito alto, acima de 50% do total de ativos, o que não é procedente para a grande maioria dos processos.

Recomendação

Estima-se que o ideal para a maioria das empresas industriais e operadores logísticos é que o total de equipamentos críticos seja de 20 a 30% do parque de ativos da empresa.
Sem dúvida, é correta a utilização da Classificação ABC como primeiro passo para a seleção de equipamentos críticos, pela consistência e praticidade da metodologia.
Mas é recomendável, em etapa seguinte, reavaliar a criticidade dos equipamentos classificados como críticos com uso de outras ferramentas, que podem trazer maior precisão na classificação do equipamento. Dois exemplos de ferramentas para avaliação complementar de criticidade:

1 ) Indicador de Risco RPN (Risk Priority Number): O RPN é também parte das análises FMEA e considera 3 critérios referentes à falha – Ocorrência, Severidade e Detecção. Sendo estas três variáveis ponderadas, o RPN é o múltiplo dos valores atribuídos aos 3 critérios:

Ocorrência: pontuar de 1 a 10, sendo nota 1: chance remota de ocorrer a falha, e nota 10: a falha ocorre em alta frequência, várias vezes ao dia;

Severidade: nota 1: efeito da falha não detectável no sistema, não causa incômodo algum, notas 2 e 3: baixa severidade causando aborrecimento leve ao cliente, e nota 9 e 10: a falha quando ocorre acarreta risco potencial de segurança e meio ambiente ou problemas graves de não-conformidades;

Detecção: nota 1: modo de falha facilmente detectável e no outro extremo, nota 10: impossível detectar o modo de falha.
O Indicador RPN é uma ferramenta que traz maior precisão para o gestor poder definir mais clara e seguramente pela criticidade do equipamento.

2 ) Matriz GUT: outra ferramenta de análise quantitativa, considera os critérios de Gravidade, Urgência e Tendência (GUT). Da mesma forma que o Indicador RPN, traz um resultado numérico múltiplo dos 3 critérios referentes à falha:

Gravidade: critério relacionado aos efeitos possíveis de surgirem no médio e/ou longo prazo no caso da ocorrência de uma falha e o seu impacto sobre o processo, pessoas ou operações e negócios da empresa;

Urgência: critério relacionado diretamente ao tempo disponível para solução da falha;

Tendência:  relacionada à possibilidade de um problema agravar-se ou diminuir.

A Matriz GUT, tal qual o Indicador RPN é uma ferramenta muito útil e pode ser usada como avaliação complementar da criticidade de equipamentos.

Outros exemplos de ferramentas para complementar a avaliação de criticidade de ativos são a análise FMEA e a matriz de criticidade do RCM.

Comentário final

Equipamentos críticos demandam estratégias de manutenção mais caras, não há dúvida. É muito recomendável revisitar a avaliação de criticidade de seu parque de ativos.

Se para muitos a manutenção não passa de um mero centro de custo ou de ‘um mal necessário’, o gestor deve se interessar em apurar seus orçamentos de custos continuamente, tornando-os mais consistentes e ao mesmo tempo menos onerosos.

Com isso o retorno de investimento na manutenção tende a crescer e o setor de manutenção será valorizado como real alavanca de ganhos para a empresa.

Rafael Herrera é Sócio-Diretor da Engetag.

 

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Texto: Segunda edição publicada na Revista Manutenção sob licença Creative Commons  Licença Creative Commons
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