Procedimento de bloqueio e etiquetagem
Procedimento de bloqueio e etiquetagem

5 passos para elaborar um procedimento de bloqueio e etiquetagem para a sua empresa

Costumo citar um exemplo para explicar a importância do procedimento de bloqueio e etiquetagem para as indústrias, pois acredito que seja bem claro. Compartilho com vocês aqui: imagine que você é um técnico eletricista e trabalha em uma empresa que usa em seu processo produtivo prensas hidráulicas. Em um determinado momento, o Supervisor da Produção aciona a sua equipe para realizar uma manutenção corretiva, pois a prensa não está chegando ao fim de curso e, como consequência, não prensa corretamente. Após alguns minutos, você e um colega se apresentam para verificar o problema e tomar as medidas corretivas.

Vocês desligam o disjuntor principal do painel elétrico da máquina e vão verificar o problema. Neste instante, vocês dois estão entre a máquina e o cilindro fazendo o ajuste no sensor indutivo (que indica o curso do cilindro hidráulico). O colega da produção (operador) que estava no banheiro, e não sabia o que estava acontecendo, acha estranho a máquina estar parada perdendo produção e vai direto ao disjuntor do painel principal e a liga. A máquina começa a funcionar e o acidente é inevitável!

Parece exagero? Mas isso acontece com muito mais frequência do que imaginamos. Por isso, neste artigo abordo a importância de implementar procedimentos de Bloqueio e Etiquetagem na sua empresa. O simples fato de usar uma trava, bloqueio do tipo cadeado, garras e outros dispositivos, evita estes acidentes.

Não é à toa que as normas NR-10 e NR-12, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) tratam com tanta importância sobre o tema. A NR-10, sobre a segurança em instalações elétricas, e a NR-12 sobre a segurança em máquinas e equipamentos.

Leia abaixo 5 passos para elaborar um procedimento de bloqueio e etiquetagem para a sua empresa!

1 - Qual a importância? Entenda o que é o que processo de bloqueio e etiquetagem

Os Equipamentos de Proteção Coletivas (EPCs) são dispositivos instalados e utilizados no ambiente de trabalho para a proteção coletiva. Também têm o objetivo de proteger os trabalhadores, só que em relação aos riscos coletivos existentes nos processos.


Os cadeados de bloqueio servem para impedir o religamento mecânico e elétrico de máquinas, equipamentos ou painéis elétricos durante o período de manutenção. Somente desligar a máquina e ir fazer a manutenção é muito perigoso, já que outra pessoa pode ligar a máquina a qualquer minuto, enquanto o funcionário está fazendo a manutenção.

Os cadeados de bloqueio devem estar acompanhados da sinalização de bloqueio adequada, como a etiqueta de bloqueio ou identificação contendo o horário e a data do bloqueio, o motivo da manutenção e o nome do responsável.

As garras de bloqueio são ideais para o travamento de válvulas e disjuntores em geral. Os seis furos da garra de bloqueio permitem que até seis pessoas bloqueiem uma única fonte de energia, garantindo maior agilidade no bloqueio e segurança aos operadores.

A utilização do mesmo bloqueio por mais de um técnico assegura que a máquina ou equipamento permaneça bloqueado até que todos os envolvidos na manutenção ou inspeção tenham concluído as suas atividades. Para isso, cada funcionário de manutenção coloca o seu cadeado e sua etiqueta de identificação em um dos seis furos da garra de bloqueio. O equipamento só é liberado depois todos os envolvidos tenham concluído e retirado seus respectivos cadeados e etiquetas, aumentando a segurança e eficácia do processo de bloqueio.

2 - Antes da instalação: Procedimento ou Instrução de Trabalho?

Uma das questões importantes antes de elaborar o processo de bloqueio e etiquetagem na sua empresa é entender a diferença entre Procedimento e Instrução de Trabalho. Enquanto o primeiro define um método ou regras, a Instrução de Trabalho define uma atividade ou um padrão técnico.

Como exemplo de Procedimentos temos: controle de documentos, registros e produtos não-conformes, ações corretivas ou preventivas, auditorias internas, além de um processo completo de um determinado departamento ou setor. Já as Instruções de Trabalho incluem: operação de máquina de fresa, armazenagem e abastecimento de matéria-prima a granel, validação de novos produtos projetados, polimento, entre outras.

A diferenciação é importante, pois poderemos elaborar tanto Procedimentos como Instruções de Trabalho para as operações com Bloqueio e Etiquetagem. No entanto, pode-se preparar um procedimento geral que servirá para todas as operações em máquinas e equipamentos. No entanto, neste caso, quem fará a avaliação de quais disjuntores, seccionadoras, válvulas ou demais itens serão desligadas e bloqueadas, deverá ser a equipe técnica.

3 - Questões a serem respondidas antes de iniciar o processo

Abaixo, listo algumas questões que você vai precisar responder antes de iniciar a implantação do processo de bloqueio e etiquetagem na sua empresa.

- Quais profissionais efetuarão os bloqueios? A empresa deve definir quais os profissionais farão o bloqueio. Ex.: manutenção elétrica, manutenção mecânica, instrumentação, terceiros, operação (produção), processos, etc.

- Os dispositivos de bloqueio serão de uso individual ou coletivo? Cada técnico terá o seu cadeado e etiqueta ou terá um kit? Ou ainda, os dispositivos serão disponibilizados na área de trabalho e todos terão acesso?

- Onde serão armazenados os dispositivos? Os dispositivos de bloqueio serão armazenados em um Centro de Controle e todos que precisarem se deslocam até lá e pegam o que precisam, ou os dispositivos serão armazenados em diferentes Estações de Bloqueio dentro da fábrica?

- As manutenções são em sua maioria corretivas ou preventivas? Normalmente em manutenções preventivas o número de técnicos que trabalham ao mesmo tempo é maior. Para esses casos é recomendado o uso da Caixa de Bloqueio em grupo. Da mesma forma, deve-se ajustar o procedimento para o uso desta Caixa de Bloqueio.

Existem muitas outras questões a serem avaliadas. Ao buscar saber mais sobre o tema, você vai descobrir o que tem mais a ver com o seu negócio!

4 - Treinamento de Bloqueio e Etiquetagem

O treinamento deve ser realizado com toda a equipe e garantirá o uso correto do procedimento e dos dispositivos de bloqueio. Recomenda-se que seja realizada a capacitação teórico-prática com, pelo menos, duas horas de treinamento para os técnicos que farão os travamentos.

É importante que após as instruções sejam feitas avaliações práticas e teóricas para verificar o nível de aprendizado da equipe. Esta prova servirá como evidência da participação do técnico no treinamento, e do aprendizado adequado para a execução da tarefa.

O conteúdo do treinamento deve ser repassado aos demais funcionários da empresa por meio da escolha de um técnico por turno, que serão os multiplicadores deste treinamento. Eles serão responsáveis por treinar os demais funcionários, que não participaram do treinamento anterior. A capacitação deve ser renovada anualmente.

5 - Auditoria

A auditoria é fundamental para verificar se os novos procedimentos estão sendo seguidos corretamente. Caso não estejam adequados, é necessário identificar por quais motivos os técnicos responsáveis não estão realizados os bloqueios adequadamente. Nestes casos, algumas hipóteses podem ser levantadas:- Os técnicos participaram dos treinamentos ou foram orientados corretamente?- Os dispositivos de bloqueio estão adequados?- O equipamento pode não estar permitindo o bloqueio adequadamente?- Por algum motivo de processo industrial não é possível desligar o equipamento durante a manutenção?Desta forma, a auditoria serve para entender o que está ocorrendo na prática e como os problemas podem ser resolvidos. Para cada problema resolvido, se corrige o procedimento e se treina novamente.

 

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Diretor Executivo da TAGOUT

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APRESENTAÇÃO:

João Marcio Tosmann é engenheiro eletricista e diretor da Tagout, indústria de produtos de Bloqueio e Etiquetagem. É autor de diversos artigos sobre segurança do trabalho, com objetivo de promover a discussão de temas relacionados a saúde e ao bem-estar dos profissionais no local de trabalho e a importância da prevenção de acidentes e doenças ocupacionais.

FORMAÇÃO ACADÊMICA E EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL:

É formado em Engenharia Elétrica com ênfase em Eletrônica pela PUC-RS, com pós-graduação em Administração Industrial pela USP e MBA em Marketing pela ESPM. Possui experiência em projetos de manutenção industrial e logística em autopeças. Atuou como membro da diretoria do Complexo Industrial Automotivo General Motors (CIAG) e líder de projetos de novos veículos como Celta (General Motors) e EcoSport (Ford). Atualmente é diretor da Tagout, com sede em Vinhedo (SP), indústria de produtos de Bloqueio e Etiquetagem voltados para o mercado brasileiro, além de consultoria e treinamento.


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