A Indústria 4.0 é o saldo da convergência de duas revoluções simultâneas
A Indústria 4.0 é o saldo da convergência de duas revoluções simultâneas

A indústria 4.0 é o saldo da convergência de duas revoluções simultâneas

Antes mesmo de tentar prever ou especular sobre o futuro da Indústria, se faz necessário compreender o passado recente e observar o presente dela, com o objetivo de obter as evidências necessárias para que se possa determinar os desafios e as tendências para os próximos anos.

 Mas afinal, o que é a famigerada Indústria 4.0? 

Indústria 4.0 é a alcunha popularizada para a convergência de diversas inovações e tecnologias que surgiram um pouco antes, durante e principalmente no período pós guerra fria, aplicadas ao ambiente industrial, com objetivo de otimizar processos, aumentar a produtividade e reduzir custos, assim como riscos.

 Quando e onde ela começou? 

Réplica de primeiro transistorRéplica de primeiro transistorA herança deixada para a humanidade, pela corrida espacial, foi um ecossistema que se iniciou com a descoberta de determinadas propriedades e aplicações do germânio e do silício, que são materiais semicondutores, que possibilitaram o surgimento do transistor, ou seja, do componente eletrônico que deu origem aos Circuitos Integrados (CIs), Microprocessadores (CPUs), Microcontroladores (PICs), e consequentemente a era dos semicondutores e da Eletrônica Digital, o que, a título de curiosidade, determinou o nome do famigerado Vale do Silício (Silicon Valley) no norte da Califórnia.

Até então, os computadores existentes eram máquinas valvuladas (analógicas), enormes e ineficientes do ponto de vista da capacidade de processamento, assim como no aspecto financeiro e ambiental.

Leonard KleinrockLeonard KleinrockCom a consolidação desse ecossistema que deu origem a Eletrônica Digital, outro grande passo adiante foi dado, quando a equipe liderada por Leonard Kleinrock, um engenheiro, cientista da computação e professor de ciência da computação da Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), ligou o primeiro modem (roteador), conectou duas máquinas, enviou a primeira mensagem pela ARPANET, estabeleceu os padrões da comunicação entre máquinas (M2M), através da teoria das filas, e criou o que conhecemos hoje como a Rede Mundial de Computadores, ou seja, a Internet.

Interface Messagem ProcessorInterface Message ProcessorÉ importante compreender esse momento da história recente, pois, Interface Message Processor (IMP), foi como Leonard Kleinrock e sua equipe descreveram a Interface Processadora de Mensagens, que na realidade foi o primeiro modem (roteador) a conectar dois dispositivos remotos em rede, e este é o ponto de partida, senão o embrião, para o nascimento da Internet of Things (IoT), ou seja, da Internet das Coisas. 

Cabe ressaltar que apesar de conectar as pessoas, possibilitando e facilitando a comunicação entre elas, a Internet conectou primeiro as coisas, ou seja, duas máquinas, do tamanho de Coke Machines, uma delas é a da fotografia ilustrada acima, e que a aplicação dessa tecnologia deu origem a duas Revoluções simultâneas, que somadas deram origem ao que se convencionou chamar de Indústria 4.0.

 A Revolução da Informação 

Obviamente que num primeiro momento, a comunicação entre pessoas acabou se tornando prioridade, ou melhor ganhando evidênca, e isso nos deixou com a falsa impressão de que a Internet surgiu para conectar pessoas, contudo, como o próprio nome diz, trata-se de uma rede de computadores, que devido a necessidade latente de melhorar e facilitar a comunicação entre pessoas, acabou iniciando uma revolução, conhecida como Revolução da Informação.

Proporcionalmente a quantidade de computadores que se conectavam à Internet, crescia também a quantidade de pessoas conectadas a ela:

  • Em 1989 159 mil computadores estavam conectados à internet.

  • Em 1999 cerca de 56 milhões de computadores estavam ligados à Internet em todo o mundo.

A Revolução da Informação alterou definitivamente a forma como as pessoas se comunicam, assim como alavancou e difusão do conhecimento, anteriormente restrito ao ambiente científico e acadêmico, o que contribuiu para o desenvolvimento e aprimoramento de outras tecnologias, como por exemplo a própria eletrônica, que fez com que as máquinas fossem reduzindo de tamanho e aumentando de capacidade, ao ponto de serem classificadas como dispositivos, e foi nesse exato momento em que as máquinas reassumiram o protagonismo e nasceu então o que viria a ser classificada de Internet das Coisas.

Primeiro dispositivo IoTIoT Coke Machine UCC (AU)Ironicamente, foi em busca de informações que um grupo de estudantes do curso de Ciência da Computação, da Carnegie Mellon University (CMU), deram início em 1982 a uma nova etapa de uma outra Revolução, que já estava em andamento há pouco mais de duzentos anos, e que acabou sendo classificada como Quarta Revolução Industrial. Posteriormente alunos de ciências da computação de diversas outras universidades fizeram o mesmo como por exemplo do MIT e da UCC na Austrália em 1995, cuja fotografia foi utlilizada para ilustrar este artigo, pois os dispositivos anteriores não possuem registro fotográfico oficial.

 A Revolução Industrial 

Acredite você ou não, foram estudantes, programadores de software e nerds metidos a hackers, que diante da necessidade fisiológica, ou seja, da dependência química de cafeína e coca cola, deram origem ao embrião da Internet das Coisas e consequentemente à Quarta Revolução Industrial, ou seja, à Indústria 4.0.

Eles desejavam obter informações sobre o abastecimento de refrigerante nas vending machines que haviam no campus da CMU, pois as máquinas ficavam distantes e isso fazia com que em muitos casos, eles perdessem a viagem, ao se deparar com as máquinas vazias, ou desabastecidas, senão com elas recém abastecidas e carregadas com refrigerantes quentes, o que os levou transformar essas máquinas, em dispositivos conectados, para que fosse possível obter informações remotamente através da internet, como por exemplo a quantidade de refrigerantes disponíveis, o horário do último abastecimento e a temperatura estimada através do tempo decorrido após o último abastecimento.

Enfim, foi dessa maneira, que entramos na década de noventa, com diversas máquinas sendo transformadas em dispositivos IoT, em diversos campus de universidades ao redor do mundo, ou seja, estas máquinas representam o embrião da Internet das Coisas, e consequentemente da Indústria 4.0, mas para iniciar a famigerada Indústria 4.0, ainda faltavam alguns ingredientes, que viriam a se tornar mais abundantes após os anos dois mil, o que será pormenorizado no artigo O surgimento da famigerada Indústria 4.0 ocorreu oficialmente após a consolidação da Internet das Coisas.

 

Fauzi Mendonça

Engenheiro em Eletrônica

Especializações

Manutenção e Confiabilidade

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Fundador, Diretor Editorial e Colunista da Revista Manutenção, escreve regularmente sobre diversos assuntos relacionados ao cotidiano da Engenharia, Confiabilidade, Gestão de Ativos e Manutenção.

Desenvolvedor Web e Webdesigner, é responsável pelo design, layout, diagramação, identidade visual e logomarca da Revista Manutenção.

Profissional graduado em Engenharia Eletrônica com ênfase em automação e controle industrial, pós graduado em Engenharia de Manutenção, pela Faculdade Anhanguera de Tecnologia (FAT) de São Bernardo e em Engenharia de Confiabilidade, pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

Profissional atua há mais de vinte (20) anos com Planejamento e Controle de Manutenção (PCM), em empresas de médio e grande porte, nacionais e multinacionais, onde edificou carreira profissional como Técnico, Programador, Planejador, Analista e Coordenador de PCM.


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