Implantação do Programa LOTO nas indústrias
Implantação do Programa LOTO nas indústrias

Desafios para implantação do Programa LOTO nas indústrias

A importância do procedimento de lockout-tagout (LoTo) já está mais do que clara para a maioria das indústrias. Sendo a proteção do trabalhador em seu local de trabalho uma prioridade para as empresas, o conjunto de procedimentos também conhecido como bloqueio e etiquetagem, que visa a redução drástica de acidentes de trabalho, torna-se elemento fundamental em qualquer operação.

No entanto, ainda existem muitos entraves para implantação do LoTo em muitas indústrias. E, mesmo quando implantado, são relatadas dificuldades para manter o programa funcionando adequadamente. Mas, porque será que isso acontece?

A seguir explico melhor os motivos e como implantar adequadamente o LoTo.

Lockout - Tagout: uma breve história

O procedimento de lockout-tagout ou bloqueio e etiquetagem no Brasil tem origem na norma de segurança em eletricidade NR-10. Em 1978, o então Ministério do Trabalho (MTE) publicou a primeira versão da norma que incluiu na legislação brasileira uma série de requisitos e condições que até hoje têm como objetivo garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores.

As medidas elencadas na norma se aplicam às diversas áreas das indústrias em que há o contato direto ou indireto com uso da energia elétrica, como a construção, a montagem, a operação, a manutenção das instalações elétricas e, inclusive, as etapas de projeto que incluem o uso da eletricidade.

Para isso, foram criadas as medidas de proteção coletiva que incluem o uso de dispositivos instalados e utilizados no ambiente de trabalho como: isolamento das partes vivas, obstáculos, barreiras, sinalização, sistema de seccionamento automático de alimentação, bloqueio do religamento automático e os sistemas de bloqueio e etiquetagem (cadeados e garras de bloqueio, bloqueio de disjuntores e as etiquetas de bloqueio).

O LoTo também é citado nas normas NR-12 (sobre segurança em máquinas e equipamentos, também de 1978) e NR-33 (que trata da segurança e saúde em espaços confinados, de 2006) principalmente. Já nos Estados Unidos está contemplado na norma OSHA 1910.147 (leia a norma na íntegra em português ou inglês, aqui LINK: https://www.tagout.com.br/downloads.

 Como funciona o Programa LoTo?

A implantação do lockout-tagout consiste em quatro etapas principais. Explico cada uma delas a seguir:

Etapa 1: Diagnóstico inicial

Primeiro, é importante fazer um levantamento de tudo o que a empresa conhece do assunto e o que já possui de bloqueio e etiquetagem em suas instalações. É preciso entender:

  • Quais são os procedimentos existentes;
  • Quais são as normas internas ou corporativas;
  • Que dispositivos de bloqueio existem;
  • Quem serão os responsáveis pelos procedimentos de bloqueio e etiquetagem.

Etapa 2: Elaboração de procedimentos e mapas de bloqueio

Com todas as informações anteriores em mãos, uma equipe multidisciplinar deve ser responsável por elaborar o projeto de implantação do Programa LoTo com todos os procedimentos fundamentados nas normas NR-10, NR-12 e OSHA 29 (CFR1910.147). O importante nessa etapa é que seja um plano customizado para atender às políticas internas da empresa.

Para isso, serão desenhados os mapas de bloqueio para cada equipamento, contendo as instruções de bloqueio e desbloqueio por meio de um material bem completo contendo

fotos, lista de dispositivos de bloqueio e etiquetagem que devem ser utilizados, local de uso e tipos de energias envolvidas.

Etapa 3: Treinamento da equipe

Sem a capacitação adequada o Programa LoTo não poderá funcionar adequadamente. Por isso, o treinamento de todos os técnicos que farão os bloqueios deve ser feito de forma bem detalhada: na prática e na teoria. Também é válido incluir o treinamento ou uma palestra para os colaboradores envolvidos nas operações dos equipamentos. Os envolvidos não tem autorização de realizar o bloqueio, porém é importante eles terem o conhecimento do que é o bloqueio, sua importância e o que fazer quando um equipamento está bloqueado.

Além disso, é recomendado a reciclagem anual para todos os colaboradores que realizem os bloqueios. Da mesma forma, para os novos colaboradores há a obrigação de realizar a capacitação antes de iniciarem as tarefas.

As empresas também podem capacitar multiplicadores internos para a realização dos treinamentos e reciclagens. Para isso, é fundamental a padronização de todo o conteúdo. Recomendo que todos façam uma prova para evidenciar o aprendizado e recebam um certificado de sua realização com assinaturas dos profissionais responsáveis por ministrar a capacitação.

Etapa 4: Auditorias internas

Um programa de auditoria interna ajuda muito a manter o programa de Bloqueio e Etiquetagem atualizado e com melhorias constantes. Recomendo uma auditoria no programa a cada 12 meses e auditorias em máquinas periodicamente.

O principal motivo para a realização das auditorias é identificar problemas na área que dificultem o processo de bloqueio. A seguir, um exemplo.

Um colaborador não realizou o bloqueio. Por quê? Talvez ele não tenha o dispositivo correto para bloquear, a máquina não permita o bloqueio, ou ainda, o mapa de bloqueio não esteja claro o suficiente. E assim os pequenos problemas do dia a dia são evitados para garantir a segurança de todos os trabalhadores e a produção da indústria.

Implantação do Programa LoTo

Parece tudo simples. Então quais são as dificuldades na implantação do Programa LoTo?

O principal obstáculo para que o programa tenha sucesso é o não comprometimento da alta direção da empresa. Não adianta o engenheiro ou técnico de segurança responsável ter que implantar o LOTO se as outras áreas não estão comprometidas.

A alta direção precisa dar o apoio a segurança do trabalho para que outras áreas envolvidas façam sua parte. Quais áreas?

Principalmente a Manutenção Industrial. Mas também as áreas de Produção, Processos, RH (apoio aos treinamentos), Compras (quando assumem a responsabilidade da contratação de terceiros para execução de serviços).

Sem a cobrança diária pela execução das atividades não há sucesso.

A Tagout possui uma equipe de Engenharia especializada na implantação do Programa de Bloqueio e Etiquetagem. São engenheiros eletricistas treinados e qualificados para a implantação do Programa LoTo.

Por isso, recomendamos que as empresas formem uma equipe multidisciplinar de colaboradores (das áreas de Segurança do Trabalho, Manutenção e RH) que seja responsável pela implantação do LoTo. Este grupo deve ter um orçamento aprovado para investimento, contar com o apoio de uma consultoria (se necessário), comprar os dispositivos de travamento, elaborar os mapas de bloqueio, realizar os treinamentos e auditorias internas.

Por que é tão difícil manter o programa funcionando?

A experiência de mais de 12 anos da Tagout mostra que de cada 10 empresas que implantam o LoTo, 4 delas abandonam o programa após 4 meses. É impressionante este número. Depois de tanto esforço de diversos colaboradores e do alto investimento, há muito tempo perdido.

A grande dificuldade em manter o programa funcionando é a disciplina. Por esse motivo as auditorias periódicas são muito importantes. Também é fundamental o apoio aos colaboradores que realizam os bloqueios. Isso significa dar condições para que os bloqueios sejam feitos de forma adequada. A equipe precisa contar com equipamentos, dispositivos, cadeados, treinamentos, maquinário em boas condições.

Outro ponto é o turnover ou rotatividade dos colaboradores envolvidos. Muitas empresas não se preparam para os treinamentos de forma adequada. Por isso o RH é tão importante para o programa seguir em frente.

Conclusões

Sabemos que as normas regulamentadoras exigem a implantação do programa de bloqueio. Em alguns casos, essa implantação precisa ser feita às pressas por algum acidente em particular. Na realidade, o perigo sempre existe. Ele apenas pode estar escondido.

Desta forma, recomendo que empresas se preparem para este processo. A seguir pontuo alguns passos a serem dados para a implantação adequada do Programa LoTo.

1.  Verificar com a alta direção as prioridades e definir um orçamento para o projeto. Ex.: nossa empresa não possui mão de obra suficiente e/ou qualificada para implantarmos sozinhos. Vamos precisar de ajuda externa. Uma empresa de engenharia com experiência em bloqueio e etiquetagem seria o ideal. Qual o valor a ser gasto na consultoria? Quanto tempo será necessário? Quanto custam os dispositivos e bloqueios que deverão ser comprados? Podemos contratar um software de gestão para auxiliar no dia a dia?

2. Como está a NR-10? Não adianta querer implantar o bloqueio se não existe um mínimo de base. Ex.: os colaboradores eletricistas não possuem o curso de NR-10. Nossas instalações elétricas são precárias e assim por diante.

3. Organizar para que as áreas de Segurança do Trabalho, Manutenção e RH trabalhem juntas. Não somente na implantação, mas continuamente para o sucesso do programa.

4. Se a empresa for muito grande, o programa pode ser executado aos poucos. Ex.: primeiro na linha de produção número 1 e assim por diante.

5. É preciso revisar com atenção o procedimento de bloqueio e etiquetagem. É este documento que vai descrever de forma geral todos os pontos importantes para realização dos bloqueios.

6. Atenção também para os mapas de bloqueio. Estes são os documentos com as instruções detalhadas por equipamento do que deve ser feito para o bloqueio.

marcio-tosmann Desafios para implantação do Programa LOTO nas indústrias - Revista Manutenção
Diretor Executivo da TAGOUT

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APRESENTAÇÃO:

João Marcio Tosmann é engenheiro eletricista e diretor da Tagout, indústria de produtos de Bloqueio e Etiquetagem. É autor de diversos artigos sobre segurança do trabalho, com objetivo de promover a discussão de temas relacionados a saúde e ao bem-estar dos profissionais no local de trabalho e a importância da prevenção de acidentes e doenças ocupacionais.

FORMAÇÃO ACADÊMICA E EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL:

É formado em Engenharia Elétrica com ênfase em Eletrônica pela PUC-RS, com pós-graduação em Administração Industrial pela USP e MBA em Marketing pela ESPM. Possui experiência em projetos de manutenção industrial e logística em autopeças. Atuou como membro da diretoria do Complexo Industrial Automotivo General Motors (CIAG) e líder de projetos de novos veículos como Celta (General Motors) e EcoSport (Ford). Atualmente é diretor da Tagout, com sede em Vinhedo (SP), indústria de produtos de Bloqueio e Etiquetagem voltados para o mercado brasileiro, além de consultoria e treinamento.


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