Da manufatura à indústria química: a jornada de duas mulheres

Da manufatura à indústria química: a jornada de duas mulheres

A indústria é um setor importante na economia de muitos países, incluindo o Brasil. Ela tem um papel crucial na geração de empregos e no crescimento da produção, além de contribuir significativamente para a arrecadação de impostos e para o desenvolvimento tecnológico e científico. 

O setor é responsável pela produção de uma grande variedade de bens e serviços, desde alimentos e roupas até máquinas e equipamentos de alta tecnologia. Mas, embora seja considerada um pilar fundamental da economia brasileira, a presença feminina no ambiente de trabalho ainda é reduzida, sendo historicamente um setor dominado por homens.

A relação entre a indústria com a mulher começou durante a Revolução Industrial, no século XVII, onde a mão de obra era considerada barata e jornadas de trabalho exaustivas. Com o descontentamento, protestos pelos direitos de igualdade surgiram pelo Brasil, marcando assim sua presença no mercado de trabalho e impactando diretamente a industrialização no país. 

Anos mais tarde, a presença feminina se consolidou em todos os setores sendo 32% da força de trabalho nas indústrias, segundo o Portal ODS. 

Impulsione sua carreira com os cursos da Revista Manutenção Edu

Em homenagem ao mês da mulher, preparamos este artigo que contará um pouco das histórias de duas mulheres que trabalham no setor e com certeza vão te inspirar.

Vanessa Duranti Soares

Residente em São José dos Campos, Engenheira Mecânica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Vanessa conta que sempre amou matérias relacionadas a exatas e que é a terceira pessoa da família a ter um curso superior. 

vanessa duranti


"Física e matemática eram minha paixão, então segui algo relacionado à área. Minha família me deixou muito à vontade para a escolha da profissão, mesmo que há 25 anos não fosse tão comum mulheres cursando engenharia mecânica, eu estava em uma sala com 40 homens. Foi mais motivo de orgulho do que preocupação."

Com experiência em engenharia, manutenção de aeronaves, planejamento e manufatura, Vanessa explica que sua trajetória começou na General Motors como trainee e anos mais tarde ingressou na Embraer, onde passou 15 anos . 

"Minha carreira se desenvolveu nas áreas de manufatura, passando pelo Planejamento de Produção e com uma atuação sólida na Engenharia de Manufatura, onde iniciei a trilha de liderança atuando em desenvolvimento, implementação e validação de processos produtivos."

Em 2011, estava na transição para assumir uma posição de liderança quando ficou grávida, e obteve apoio da sua gerente no período, o que foi fundamental na época.  

Dez anos mais tarde, a história entre Vanessa e General Motors é retomada novamente, mas agora na posição de Gerente de Engenharia de Manufatura, ficando responsável pela implementação e execução de projetos nas linhas produtivas.

O equilíbrio entre trabalho e família

Seu dia começa entendendo se o que foi planejado foi realizado, além de discutir todo o cronograma das próximas atividades. Além de lidar com imprevistos que surgem durante o dia. "A indústria, principalmente as de produção em alta escala, demanda muita agilidade e assertividade nas intervenções e tomadas de decisão. Lidamos com diversas variáveis e nem sempre as coisas acontecem como esperamos quando falamos de desenvolvimento de processos." 

A Engenheira ainda reitera o papel fundamental da sua equipe: "Minha equipe é responsável pela implementação, execução e validação dos processos produtivos. Nem sempre isso acontece de forma off-line e acabamos realizando intervenções em linhas produtivas funcionais. Isso demanda um estado de alerta constante, já que a produção precisa ser garantida dentro do timing e da qualidade necessários". 

Soares acrescenta que o papel de líder de uma área tão importante é entender a relação entre ela e o colaborador não é de curto e sim longo prazo, desenvolvendo suas habilidades. "Contrato várias pessoas onde a maioria são mulheres. É muito bom olhar para trás e sentir seu impacto nelas, algumas fazem curso técnico, faculdade e até pós-graduação".  

Quando perguntada sobre a presença das mulheres na indústria, enfatiza que uma tem que ajudar e apoiar o desenvolvimento das outras. 

familia vanessa duranti

Por fim, Vanessa se define como uma pessoa caseira e ama dedicar o tempo livre  para a família.  "Conciliar a vida entre mãe e profissional é uma mistura de loucura e tranquilidade. Mas eu sou um todo com as duas coisas. Para mim, o equilíbrio está em entender que existem momentos que é preciso priorizar e tem coisas que não são negociáveis. Sou muito grata por estar em uma empresa que entende e suporta a jornada das mulheres que, na maioria das vezes, é diferente das dos homens e à minha família por me incentivar como profissional."

Aline Pioli da Silva

Química Industrial e Mestra em Engenharia Química pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), explica que a paixão pela área surgiu ainda pequena quando fazia experiências na cozinha de sua casa, já que queria ser cientista. Sua carreira começou após o curso técnico em química em uma indústria farmacêutica, por onde ficou por dois anos atuando no laboratório de controle de qualidade.

Normas ISO: conheça as principais

aline pioli

 

"Na indústria metalúrgica, eu comecei a sentir mais o impacto de ser mulher já que eu ditava o que seria feito. No início foi difícil, mas depois deu tudo certo."

Depois em outra empresa, foi a primeira mulher a trabalhar no laboratório de desenvolvimento e qualidade - onde ficou por 9 anos. Um desafio e uma quebra de paradigma relatado na época, era que não havia banheiro feminino no local e que posteriormente houve uma adaptação no ambiente.

A Química que já trabalhou desde indústria de tintas, farmacêutica, metalúrgica, papel e celulose e petroquímica, onde descobriu sua paixão pela área e atua hoje na Chevron Oronite Brasil.

A união entre paixão e petroquímica a fez completar um ano na empresa no Dia Internacional da Mulher, dia 08/03. 

Seu dia a dia é uma mistura entre análises de produtos e serviços administrativos.

"Atualmente eu trabalho uma parte do dia com análises para liberação de produtos e calibração de equipamentos, uma parte do dia com treinamento para novos analistas e uma parte do dia com serviços administrativos como: contato com fornecedor, contratos, compras, especificações e reuniões."

A empresa produz aditivos para óleo lubrificantes, a química explica que cada tipo de produto possui um pacote de análises como são: viscosidade, pH, análise de metais, etc.

Novos vôos e rumos para o futuro

Além disso, a Química Industrial gosta muito de estudar e estar sempre atualizada no mercado, atualmente cursa MBA pela USP em gestão de projetos. Ela também dá aulas, palestras e cursos sem cobrar valor algum na área de química. "Minhas amigas me chamam para que eu possa levar um pouco da minha área, incentivar o pessoal nas escolas a estudar e claro, mostrar a realidade da indústria.

aline pioli quimica

 

Hoje, com 19 anos de carreira, ela ressalta que no começo nunca é fácil, mas vale a pena. "Nós estamos cada vez mais ganhando espaço dentro da indústria, mas longe de ser o ideal, ainda temos que trabalhar mais para poder mostrar nosso potencial".

Em um cenário daqui 7 anos, ela planeja abrir sua empresa de consultoria de treinamento e documentação química e quando perguntada sobre um conselho que daria para futuras engenheiras químicas e químicas, ela diz que "Ser perseverante e resiliente, não desistir no primeiro desafio, que tudo dá certo no final.

Vida pessoal: saudável e produtiva

Equilibrar a vida profissional e pessoal é um desafio para muitas pessoas, especialmente quando o trabalho demanda muito fisicamente, mas Aline lida bem com muita organização e planejamento. "Busco traçar metas diárias e montar um planejamento mensal. Assim, é possível visualizar melhor as atividades que precisam ser realizadas e gerenciar o tempo de forma mais eficiente. "

Aline Pioli, fora do ambiente industrial, busca manter um estilo de vida saudável e produtivo. "A gente vive em uma fase de vida que a qualidade de vida é importantíssima. Eu adoro fazer esporte, principalmente correr. Amo ler, ir em parques, frequentar lugares diferentes. Mas, também tenho aqueles dias em que eu não quero fazer nada e só relaxar.

A Revista Manutenção admira e parabeniza as profissionais de manutenção por suas trajetórias e agradece a todas por compartilharem suas histórias. Desejamos sucesso em suas carreiras e que este artigo possa inspirar muitas mulheres a seguir na área de manutenção.

Redação

Editores & Revisores

Especializações

Jornalismo

Redes sociais

A Redação da Revista Manutenção é composta por profissionais que atuam direta e indiretamente com manutenção no setor secundário (indústria) e terciário (comércio e serviços) da economia, dispostos à difundir informações, artigos, opiniões, debates e eventos, para estudantes e profissionais que atuam com engenharia de manutenção e/ou confiabilidade, assim como na gestão de ativos, recursos, serviços e riscos.

A linha editorial da Revista Manutenção está plenamente alinhada com o código de ética e conduta de entidades, instituições e conselhos de classe como CONFEA, CREA e FNE, no sentido de fomentar o desenvolvimento social e econômico nacional, por meio do progresso ciêntício e tecnológico sustentável, com o objetivo de garantir o bem-estar e o desenvolvimento do homem, em seu ambiente e em suas diversas dimensões: como indivíduo, família, comunidade, sociedade, nação e humanidade; nas suas raízes históricas, assim como nas gerações atuais e futuras.

Explorar o potencial da internet para tornar-se referência como acervo científico e tecnológico, através da publicação de conhecimento, sob licença de uso que o permita ser difundido entre estudantes e profissionais que atuam direta ou indiretamente com manutenção, cujos interesses sejam convergentes e alinhados com a missão, visão e valores descritos aqui.

O desenvolvimento social e humano é determinante para o desenvolvimento econômico do país e das empresas, portanto defendemos que o Estado, assim como a iniciativa privada, devem priorizar investimentos para a educação e capacitação profissional, assim como adotar e promover políticas e valores que promovam o estado de bem estar e justiça social, considerando o princípio da igualdade de oportunidades com isonomia e equidade.

O meio ambiente é patrimônio da humanidade, e não deve em hipótese alguma ser submetido aos interesses corporativos e/ou especulativos de mercado, portanto protegê-lo e preservá-lo através da legislação ambiental e demais recursos ciêntíficos e tecnológicos é um dever ético imutável e comum a todas pessoas, profissionais, empresas, governos e países.

O progresso social, político, econômico, científico e tecnológico nacional, depende da adoção de uma política econômica desenvolvimentista, não ortodoxa, que reverta e supere as crises econômicas resultantes do modelo fracassado que popularizou-se nos países sub-desenvolvidos em meados da década de noventa.

A meritocracia é uma distopia que catalisa a corrupção e subverte as regras instituídas em nome do bem-estar coletivo, tornando-as flexíveis e barganhaveis diante de interesses escusos, portanto ela deve ser superada.

A transparência é sinônimo de lisura, portanto informações e opiniões devem ser devidamente separadas e identificadas, para evitar que o público seja submetido ao engodo da persuasão e da fabricação de consenso.

Todo conhecimento adquirido, seja ela discursivo ou intuitivo, deve ser multiplicado, compartilhado e utilizado para garantir que os valores expressos acima, sejam consolidados de modo empírico.


loading Não há mais arquivos para exibir